Entrar

Metáfora: quando uma coisa vira outra

Sem “como”: o texto diz que A é B, e você descobre o que os dois têm em comum.

caiu 12× no ENEM · 2023 (3) · 2014 (3) · 2018 (2)aula de 2 minutos
1

Em 60 segundos

Metáfora é uma comparação sem conectivo: em vez de dizer que a fala parece um arado, o texto diz que ela é um arado. Seu trabalho é achar o traço comum entre os dois termos e perguntar que efeito isso cria: valorizar (“o ouro do século 21”), denunciar (o pesadelo que chega antes do sono), fazer rir (o bêbado que “bebia paisagens”). O ENEM quase nunca pede o nome da figura; pede o sentido e a função dela no texto. Leia a imagem como figura, não ao pé da letra, mas sem ir além do que o texto sustenta.

  • ✓

    Metáfora = comparação implícita, sem “como”, “tal qual”, “parece”.

  • ✓

    Com conectivo (“como las aguas a una piedra”) é comparação, ou símile.

  • ✓

    Ache o traço comum entre os termos: é ele que carrega o sentido.

  • ✓

    A pergunta costuma ser o efeito: valorizar, criticar, emocionar, fazer rir.

  • ✓

    Aspas em volta de uma expressão podem marcar o sentido figurado.

2

Veja funcionando

O mais ele achou que podia beber. Bebia paisagens1, músicas de Tom Jobim, versos de Mário Quintana2. Tomou um pileque de Segall3. Nos fins de semana, embebedava-se de Índia Reclinada4, de Celso Antônio.
  1. 1“Bebia paisagens” — “Beber” perde o sentido literal: agora é consumir com prazer e excesso.
  2. 2“músicas de Tom Jobim, versos de Mário Quintana” — Arte no lugar da bebida: o traço comum é o vício, a embriaguez.
  3. 3“Tomou um pileque de Segall” — Gíria de bar aplicada a um pintor: a metáfora se estende pelo texto.
  4. 4“embebedava-se de Índia Reclinada” — Uma escultura vira bebida. É essa metáfora contínua que torna irônico o “etilismo abstrato” do final.
Em “Aquele bêbado”, o verbo beber vira metáfora de apreciar arte com excesso. A ironia do final só funciona porque a imagem atravessa a narrativa inteira.