Metáfora: quando uma coisa vira outra
Sem “como”: o texto diz que A é B, e você descobre o que os dois têm em comum.
Em 60 segundos
Metáfora é uma comparação sem conectivo: em vez de dizer que a fala parece um arado, o texto diz que ela é um arado. Seu trabalho é achar o traço comum entre os dois termos e perguntar que efeito isso cria: valorizar (“o ouro do século 21”), denunciar (o pesadelo que chega antes do sono), fazer rir (o bêbado que “bebia paisagens”). O ENEM quase nunca pede o nome da figura; pede o sentido e a função dela no texto. Leia a imagem como figura, não ao pé da letra, mas sem ir além do que o texto sustenta.
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Metáfora = comparação implícita, sem “como”, “tal qual”, “parece”.
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Com conectivo (“como las aguas a una piedra”) é comparação, ou símile.
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Ache o traço comum entre os termos: é ele que carrega o sentido.
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A pergunta costuma ser o efeito: valorizar, criticar, emocionar, fazer rir.
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Aspas em volta de uma expressão podem marcar o sentido figurado.
Veja funcionando
O mais ele achou que podia beber. Bebia paisagens1, músicas de Tom Jobim, versos de Mário Quintana2. Tomou um pileque de Segall3. Nos fins de semana, embebedava-se de Índia Reclinada4, de Celso Antônio.
- 1“Bebia paisagens” — “Beber” perde o sentido literal: agora é consumir com prazer e excesso.
- 2“músicas de Tom Jobim, versos de Mário Quintana” — Arte no lugar da bebida: o traço comum é o vício, a embriaguez.
- 3“Tomou um pileque de Segall” — Gíria de bar aplicada a um pintor: a metáfora se estende pelo texto.
- 4“embebedava-se de Índia Reclinada” — Uma escultura vira bebida. É essa metáfora contínua que torna irônico o “etilismo abstrato” do final.