Machado de Assis: a ironia que desmascara
O narrador elogia, justifica, se distrai. Você lê o contrário e encontra a crítica à elite do Império.
Em 60 segundos
Machado de Assis é o maior nome do Realismo brasileiro (Memórias póstumas de Brás Cubas, 1881; Quincas Borba; Dom Casmurro). Ele não mostra o ser humano determinado pelo meio, como os naturalistas: investiga a alma e a hipocrisia social. Sua arma é a ironia: o narrador elogia, justifica ou finge distração, e você percebe o oposto. Para ler, confronte o comentário do narrador com os fatos que ele mesmo conta. O alvo costuma ser a elite do Segundo Reinado: escravidão naturalizada, vaidade, parecer em vez de ser.
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Realista, não naturalista: psicologia, não determinismo biológico
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Ironia: o narrador diz uma coisa, os fatos narrados mostram outra
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Alvo frequente: elite escravocrata, vaidade, aparência × essência
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O contexto histórico (fim do Império) pode ser a chave da ironia
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Palavras escolhidas revelam o que a personagem sente
Veja funcionando
| Obra | O narrador diz ou mostra | O que você deve perceber |
|---|---|---|
| Memórias póstumas (Cotrim) | a tortura seria 'puro efeito de relações sociais' | a defesa cínica expõe a violência escravista |
| O alienista | a matraca tinha 'grande energia de divulgação' | o sistema espalhava informação falsa |
| Esaú e Jacó | Flora inveja a princesa 'que viria a ser imperatriz' | elite alienada às vésperas da República |
| A causa secreta | Fortunato 'saboreou tranquilo' a dor de Garcia | prazer com o sofrimento alheio |
| Quincas Borba | Rubião troca o próprio gosto pelo que 'é de preço' | a aparência vencendo a essência |
| Um homem célebre | Pestana busca a sonata e sempre sai uma polca | tensão entre erudito e popular |