Colhe o Brasil, após esforço contínuo dilatado no tempo, o que plantou no esforço da construção de sua inserção internacional. Há dois séculos formularam-se os pilares da política externa. Teve o país inteligência de longo prazo e cálculo de oportunidade no mundo difuso da transição da hegemonia britânica para o século americano. Engendrou concepções, conceitos e teoria própria no século XIX, de José Bonifácio ao Visconde do Rio Branco. Buscou autonomia decisória no século XX. As elites se interessaram, por meio de calorosos debates, pelo destino do Brasil. O país emergiu, de Vargas aos militares, como ator responsável e previsível nas ações externas do Estado. A mudança de regime político para a democracia não alterou o pragmatismo externo, mas o aperfeiçoou.
SARAIVA, J. F. S. O lugar do Brasil e o silêncio do parlamento. Correio Braziliense, Brasília,
28 maio 2009 (adaptado).
Sob o ponto de vista da política externa brasileira no século XX, conclui-se que
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A
O Brasil é um país periférico na ordem mundial, devido às diferentes conjunturas de inserção internacional.
B
As possibilidades de fazer prevalecer ideias e conceitos próprios, no que tange aos temas do comércio internacional e dos países em desenvolvimento, são mínimas.
C
As brechas do sistema internacional não foram bem aproveitadas para avançar posições voltadas para a criação de uma área de cooperação e associação integrada a seu entorno geográfico.
D
Os grandes debates nacionais acerca da inserção internacional do Brasil foram embasados pelas elites do Império e da República por meio de consultas aos diversos setores da população.
E
A atuação do Brasil em termos de política externa evidencia que o país tem capacidade decisória própria, mesmo diante dos constrangimentos internacionais.
O ENEM quer ver se você extrai a tese do autor: a política externa brasileira tem autonomia e pragmatismo próprios.
🪤
A armadilha
A D pega a palavra 'elites' do texto e acrescenta consulta à população, que o autor não menciona. A, B e C dizem o contrário do que o texto afirma.
Quem cai nela marca D, A.
Colhe o Brasil, após esforço contínuo dilatado no tempo, o que plantou no esforço da construção de sua inserção internacional. Há dois séculos formularam-se os pilares da política externa. Teve o país inteligência de longo prazo e cálculo de oportunidade1 no mundo difuso da transição da hegemonia britânica para o século americano. Engendrou concepções, conceitos e teoria própria2 no século XIX, de José Bonifácio ao Visconde do Rio Branco. Buscou autonomia decisória no século XX3. As elites se interessaram4, por meio de calorosos debates, pelo destino do Brasil. O país emergiu, de Vargas aos militares, como ator responsável e previsível5 nas ações externas do Estado. A mudança de regime político para a democracia não alterou o pragmatismo externo, mas o aperfeiçoou.
1“inteligência de longo prazo e cálculo de oportunidade” — Brechas do sistema foram aproveitadas: derruba a C.
2“Engendrou concepções, conceitos e teoria própria” — Ideias próprias: derruba a B.
3“Buscou autonomia decisória no século XX” — Frase-chave: é a própria alternativa E.
4“As elites se interessaram” — Quem debatia eram as elites, não a população: derruba a D.
5“ator responsável e previsível” — Protagonismo, não passividade: derruba a A.
Cada trecho grifado confirma a E ou derruba uma das outras.
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