O ano de 1968 ficou conhecido pela efervescência social, tal como se pode comprovar pelo seguinte trecho, retirado de texto sobre propostas preliminares para uma revolução cultural: “É preciso discutir em todos os lugares e com todos. O dever de ser responsável e pensar politicamente diz respeito a todos, não é privilégio de uma minoria de iniciados. Não devemos nos surpreender com o caos das ideias, pois essa é a condição para a emergência de novas ideias. Os pais do regime devem compreender que autonomia não é uma palavra vã; ela supõe a partilha do poder, ou seja, a mudança de sua natureza. Que ninguém tente rotular o movimento atual; ele não tem etiquetas e não precisa delas”.
Journal de la comune étudiante. Textes et documents. Paris: Seuil, 1969 (adaptado)
Os movimentos sociais, que marcaram o ano de 1968,
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A
Foram manifestações desprovidas de conotação política, que tinham o objetivo de questionar a rigidez dos padrões de comportamento social fundados em valores tradicionais da moral religiosa.
B
Restringiram-se às sociedades de países desenvolvidos, onde a industrialização avançada, a penetração dos meios de comunicação de massa e a alienação cultural que deles resultava eram mais evidentes.
C
Resultaram no fortalecimento do conservadorismo político, social e religioso que prevaleceu nos países ocidentais durante as décadas de 70 e 80.
D
Tiveram baixa repercussão no plano político, apesar de seus fortes desdobramentos nos planos social e cultural, expressos na mudança de costumes e na contracultura.
E
Inspiraram futuras mobilizações, como o pacifismo, o ambientalismo, a promoção da equidade de gêneros e a defesa dos direitos das minorias.
O ENEM quer ver se você reconhece 1968 como movimento político e global, com legado nas lutas por direitos das décadas seguintes.
🪤
A armadilha
D e A parecem sensatas porque 1968 mexeu com costumes e contracultura, mas negam a dimensão política que o próprio texto afirma (“pensar politicamente”, “partilha do poder”).
Quem cai nela marca A, D.
“É preciso discutir em todos os lugares e com todos. O dever de ser responsável e pensar politicamente diz respeito a todos1, não é privilégio de uma minoria de iniciados. Não devemos nos surpreender com o caos das ideias, pois essa é a condição para a emergência de novas ideias3. Os pais do regime devem compreender que autonomia não é uma palavra vã; ela supõe a partilha do poder2, ou seja, a mudança de sua natureza. Que ninguém tente rotular o movimento atual; ele não tem etiquetas e não precisa delas”.
1“pensar politicamente diz respeito a todos” — O movimento é político por definição.
2“a partilha do poder” — Pauta antiautoritária: democratizar o poder.
3“a condição para a emergência de novas ideias” — Abertura para pautas futuras.
O próprio documento de 1968 derruba as alternativas que falam em movimento apolítico.
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