Atualmente, prevalece na mídia um discurso de exaltação das novas tecnologias, principalmente aquelas ligadas às atividades de telecomunicações. Expressões frequentes como “o futuro já chegou”, “maravilhas tecnológicas” e “conexão total com o mundo” “fetichizam” novos produtos, transformando-os em objetos do desejo, de consumo obrigatório. Por esse motivo carregamos hoje nos bolsos, bolsas e mochilas o “futuro” tão festejado.
Todavia, não podemos reduzir-nos a meras vítimas de um aparelho midiático perverso, ou de um aparelho capitalista controlador. Há perversão, certamente, e controle, sem sombra de dúvida. Entretanto, desenvolvemos uma relação simbiótica de dependência mútua com os veículos de comunicação, que se estreita a cada imagem compartilhada e a cada dossiê pessoal transformado em objeto público de entretenimento.
Não mais como aqueles acorrentados na caverna de Platão, somos livres para nos aprisionar, por espontânea vontade, a esta relação sadomasoquista com as estruturas midiáticas, na qual tanto controlamos quanto somos controlados.
SAMPAIO, A. S. A microfísica do espetáculo. Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 1 mar. 2013 (adaptado).
Ao escrever um artigo de opinião, o produtor precisa criar uma base de orientação linguística que permita alcançar os leitores e convencê-los com relação ao ponto de vista defendido. Diante disso, nesse texto, a escolha das formas verbais em destaque objetiva
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A
Criar relação de subordinação entre leitor e autor, já que ambos usam as novas tecnologias.
B
Enfatizar a probabilidade de que toda população brasileira esteja aprisionada às novas tecnologias.
C
Indicar, de forma clara, o ponto de vista de que hoje as pessoas são controladas pelas novas tecnologias.
D
Tornar o leitor copartícipe do ponto de vista de que ele manipula as novas tecnologias e por elas é manipulado.
E
Demonstrar ao leitor sua parcela de responsabilidade por deixar que as novas tecnologias controlem as pessoas.
O ENEM quer ver se você entende o efeito do "nós" num artigo de opinião: ele puxa o leitor para dentro do argumento.
🪤
A armadilha
C e E ficam com metade da tese: só "somos controlados" ou só a culpa de quem deixa controlar. O texto fecha com "tanto controlamos quanto somos controlados", e o "nós" inclui o leitor nessa via dupla.
Quem cai nela marca C, E.
Todavia, não podemos reduzir-nos a meras vítimas1 de um aparelho midiático perverso, ou de um aparelho capitalista controlador. Há perversão, certamente, e controle, sem sombra de dúvida. Entretanto, desenvolvemos2 uma relação simbiótica de dependência mútua3 com os veículos de comunicação, que se estreita a cada imagem compartilhada e a cada dossiê pessoal transformado em objeto público de entretenimento.
Não mais como aqueles acorrentados na caverna de Platão, somos livres para nos aprisionar4, por espontânea vontade, a esta relação sadomasoquista com as estruturas midiáticas, na qual tanto controlamos quanto somos controlados5.
1“não podemos reduzir-nos a meras vítimas” — Recusa a leitura de que só somos controlados (contra C e E).
2“desenvolvemos” — Nós inclusivo: autor e leitor constroem juntos a dependência.
3“dependência mútua” — Relação de mão dupla.
4“somos livres para nos aprisionar” — O leitor participa por vontade própria.
5“tanto controlamos quanto somos controlados” — A tese: manipular e ser manipulado ao mesmo tempo.
Os verbos em "nós" colocam o leitor dentro de uma relação de mão dupla com a mídia.
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