Sempre passo nervoso quando leio minha crônica neste jornal e percebo que escapuliu a palavra “coisa” em alguma frase. Acontece que “coisa” está entre as coisas mais deliciosas do mundo. O primeiro banho da minha filha foi embalado pela minha voz dizendo, ao fundo, “cuidado, ela ainda é uma coisinha tão pequena”. “Viu só que amor? Nunca vi coisa assim”. O amor que não dá conta de explicação é “a coisa” em seu esplendor e excelência. “Alguma coisa acontece no meu coração” é a frase mais bonita que alguém já disse sobre São Paulo. E quando Caetano, citado aqui pela terceira vez pra defender a dimensão poética da coisa, diz “coisa linda”, nós sabemos que nenhuma palavra definiria de forma mais profunda e literária o quão bela e amada uma coisa pode ser. “Coisar” é verbo de quem está com pressa ou tem lapsos de memória. É pra quando “mexe qualquer coisa dentro doida”. E que coisa magnífica poder se expressar tal qual Caetano Veloso. Agora chega, porque “esse papo já tá qualquer coisa” e eu já tô “pra lá de Marrakech”.
O recurso utilizado na progressão textual para garantir a unidade temática dessa crônica é a
👉 Tente resolver: clique na alternativa e confirme sua resposta.Rascunho de prova: ✕ elimina, ★ marca como provável (no celular, arraste a alternativa pro lado).
⏱00:00
A
intertextualidade, marcada pela citação de versos de letras de canções.
B
metalinguagem, marcada pela referência à escrita de crônicas pela autora.
C
reiteração, marcada pela repetição de uma determinada palavra e de seus cognatos.
D
conexão, marcada pela presença dos conectores lógicos “quando” e “porque” entre orações.
E
pronominalização, marcada pela retomada de “minha filha” e “um namorado ruim” pelos pronomes “ela” e “lo”.
O ENEM quer ver se você reconhece a reiteração lexical como o fio que costura a crônica inteira.
🪤
A armadilha
A crônica tem canções citadas (A), fala da própria escrita (B) e tem conectores (D). Tudo existe, mas o que atravessa o texto do início ao fim é a palavra "coisa".
Quem cai nela marca A, B, D.
Sempre passo nervoso quando leio minha crônica neste jornal e percebo que escapuliu a palavra “coisa”1 em alguma frase. Acontece que “coisa” está entre as coisas mais deliciosas2 do mundo. O primeiro banho da minha filha foi embalado pela minha voz dizendo, ao fundo, “cuidado, ela ainda é uma coisinha tão pequena3”. “Viu só que amor? Nunca vi coisa assim”. O amor que não dá conta de explicação é “a coisa” em seu esplendor e excelência. “Alguma coisa acontece no meu coração”4 é a frase mais bonita que alguém já disse sobre São Paulo. E quando Caetano, citado aqui pela terceira vez pra defender a dimensão poética da coisa, diz “coisa linda”, nós sabemos que nenhuma palavra definiria de forma mais profunda e literária o quão bela e amada uma coisa pode ser. “Coisar” é verbo5 de quem está com pressa ou tem lapsos de memória. É pra quando “mexe qualquer coisa dentro doida”. E que coisa magnífica poder se expressar tal qual Caetano Veloso. Agora chega, porque “esse papo já tá qualquer coisa”6 e eu já tô “pra lá de Marrakech”.
1“escapuliu a palavra “coisa”” — Abertura: a palavra é o tema.
2“entre as coisas mais deliciosas” — Cognato no plural, jogo com a própria palavra.
3“uma coisinha tão pequena” — Diminutivo: cognato com valor afetivo.
4““Alguma coisa acontece no meu coração”” — A canção é citada porque tem "coisa": serve à reiteração.
5““Coisar” é verbo” — Cognato verbal: a palavra muda de classe e o tema avança.
6““esse papo já tá qualquer coisa”” — Fecho com a mesma palavra: unidade até o fim.
A palavra "coisa" e seus cognatos aparecem do começo ao fim: esse é o fio da crônica.
A explicação completa tem 3 passos para você tentar antes de revelar, o motivo de cada alternativa estar certa ou errada.
🔒
Explicação detalhada da IA
Entenda por que cada alternativa está certa ou errada, passo a passo — gerado pela IA do Esmer.
Com a conta grátis você vê 3 explicações completas. No Premium, todas — e ainda o diagnóstico do seu erro.
⚡ Com a conta grátis você responde as questões oficiais e vê o gabarito