Moju, dono da água, não gosta do cheiro de urucum. Mani’ojarã, dono da mandioca, e os donos das outras plantas cultivadas também não. Eles não suportam. Por isso, os Wajãpi se untam de urucum, deixam o rosto vermelho e se perfumam com seu aroma agradável. Além disso, os seres agressores, os jarã (donos) e os espíritos terrestres, gostam do cheiro dos fluidos humanos, do sangue, do suor. Então, o urucum os dissimula, protegendo as pessoas que vão caçar, caminhar pela floresta, que estão sendo perturbadas por espíritos em sonhos ou que estão em resguardo, como os doentes. O seu uso é tão cotidiano que os Wajãpi o plantam na aldeia, para ter sempre pertinho. Como o urucum não tem jarã, não tem problema nenhum em arrancar e usar para pintar.
STRAPPAZZON, A. I.; SIGOLO, R. P. Jardins da história : medicinas indígenas. Recife: ObservaPICS, 2022.
Esse verbete contribui para a preservação do patrimônio linguístico nacional, pois apresenta uma
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A
explicação de um rito medicinal do povo Wajãpi.
B
definição de um termo na perspectiva ancestral indígena.
C
relação de equivalência entre vocábulos de diferentes línguas indígenas.
D
atualização de saberes tradicionais dos povos indígenas brasileiros.
E
descrição das propriedades científicas de plantas silvestres.
O ENEM quer ver se você percebe que o verbete define a palavra a partir da visão de mundo Wajãpi, e é isso que preserva patrimônio linguístico.
🪤
A armadilha
O título traz três nomes (Uruku, Urucum, Rocou), o que sugere equivalência entre línguas indígenas: C. Mas urucum é a forma do português e rocou, do francês; o corpo do verbete é a definição pela cosmologia Wajãpi.
Quem cai nela marca C, A.
Moju, dono da água, não gosta do cheiro de urucum.1 Mani’ojarã, dono da mandioca, e os donos das outras plantas cultivadas também não. Eles não suportam. Por isso, os Wajãpi se untam de urucum, deixam o rosto vermelho e se perfumam com seu aroma agradável. Além disso, os seres agressores, os jarã (donos) e os espíritos terrestres, gostam do cheiro dos fluidos humanos, do sangue, do suor. Então, o urucum os dissimula, protegendo as pessoas2 que vão caçar, caminhar pela floresta, que estão sendo perturbadas por espíritos em sonhos ou que estão em resguardo, como os doentes. O seu uso é tão cotidiano que os Wajãpi o plantam na aldeia, para ter sempre pertinho. Como o urucum não tem jarã, não tem problema nenhum em arrancar e usar para pintar.3
1“Moju, dono da água, não gosta do cheiro de urucum.” — Definição pela cosmologia: os donos das coisas.
2“o urucum os dissimula, protegendo as pessoas” — Função no mundo Wajãpi, não propriedade química.
3“Como o urucum não tem jarã, não tem problema nenhum em arrancar e usar para pintar.” — Regra de uso derivada do saber ancestral.
Tudo o que o verbete diz sobre o urucum vem do modo como os Wajãpi o entendem.
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