Metalinguagem: quando o código fala de si mesmo
Crônica sobre escrever crônica, anúncio sobre publicidade, poema sobre a palavra: é o código no espelho.
Em 60 segundos
Na função metalinguística, o foco está no código: a linguagem é usada para falar da própria linguagem. Dicionário e gramática são o exemplo básico, mas o ENEM prefere os disfarçados: uma crônica sobre a dificuldade de escrever crônicas, um poema que discute qual palavra usar, um anúncio que comenta o próprio fazer publicitário, um samba que fala de gíria. O teste é uma pergunta: o texto fala do mundo ou de como ele mesmo (ou seu código) é feito? Cuidado: citar um sinal ou uma palavra não basta; a língua precisa ser o assunto.
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Foco no código: língua falando da língua, gênero falando do gênero
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Pergunte: o texto fala do mundo ou de como ele próprio é feito?
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Responda pela função, não pelos assuntos que aparecem no texto
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Poética foca a forma; emotiva, quem fala; metalinguística, o código
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Nomear um sinal não basta: a língua tem de ser o tema
Veja funcionando
| Texto | Do que ele fala? | Metalinguístico? |
|---|---|---|
| Verbete de dicionário | Do sentido de uma palavra | Sim: a língua explica a língua |
| Crônica sobre escrever crônica | Do próprio gênero | Sim: o texto fala de si |
| Poema que escolhe entre "rapariga" e "moça" | Da palavra do próprio poema | Sim: o fazer poético é o tema |
| Anúncio que comenta a propaganda | Do fazer publicitário | Sim: subverte o gênero |
| Samba sobre a gíria do morro | Da língua e da identidade | Sim: o código é o assunto |
| "Não física, dois pontos" | Da violência não física | Não predomina: o sinal só encadeia ideias |
| Notícia sobre um jogo | Do mundo (o jogo) | Não: função referencial |