São vários os fatores, internos e externos, que influenciam os hábitos das pessoas no acesso à internet, assim como nas práticas culturais realizadas na rede. A utilização das tecnologias de informação e comunicação está diretamente relacionada aos aspectos como conhecimento de seu uso, acesso à linguagem letrada, nível de instrução, escolaridade, letramento digital etc. Os que detêm tais recursos (os mais escolarizados) são os que mais acessam a rede e também os que possuem maior índice de acumulatividade das práticas. A análise dos dados nos possibilita dizer que a falta de acesso à rede repete as mesmas adversidades e exclusões já verificadas na sociedade brasileira no que se refere a analfabetos, menos escolarizados, negros, população indígena e desempregados. Isso significa dizer que a internet, se não produz diretamente a exclusão, certamente a reproduz, tendo em vista que os que mais a acessam são justamente os mais jovens, escolarizados, remunerados, trabalhadores qualificados, homens e brancos.
SILVA, F. A. B.; ZIVIANE, P.; GHEZZI, D. R. As tecnologias digitais e seus usos. Brasília; Rio de Janeiro: Ipea, 2019 (adaptado).
Ao analisarem a correlação entre os hábitos e o perfil socioeconômico dos usuários da internet no Brasil, os
pesquisadores
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A
Apontam o desenvolvimento econômico como solução para ampliar o uso da rede.
B
Questionam a crença de que o acesso à informação é igualitário e democrático.
C
Afirmam que o uso comercial da rede é a causa da exclusão de minorias.
D
Refutam o vínculo entre níveis de escolaridade e dificuldade de acesso.
E
Condicionam a expansão da rede à elaboração de políticas inclusivas.
O ENEM quer ver se você percebe qual crença os dados derrubam, sem inventar propostas que o texto não faz.
🪤
A armadilha
O texto só diagnostica; não propõe solução. Quem espera uma proposta marca A (desenvolvimento econômico) ou E (políticas inclusivas).
Quem cai nela marca A, E.
Os que detêm tais recursos (os mais escolarizados) são os que mais acessam a rede1 e também os que possuem maior índice de acumulatividade das práticas. A análise dos dados nos possibilita dizer que a falta de acesso à rede repete as mesmas adversidades e exclusões já verificadas na sociedade brasileira2 no que se refere a analfabetos, menos escolarizados, negros população indígena e desempregados. Isso significa dizer que a internet, se não produz diretamente a exclusão, certamente a reproduz3, tendo em vista que os que mais a acessam são justamente os mais jovens, escolarizados, remunerados, trabalhadores qualificados, homens e brancos.
1“Os que detêm tais recursos (os mais escolarizados) são os que mais acessam a rede” — Dado: o acesso acompanha a escolaridade (derruba D).
2“a falta de acesso à rede repete as mesmas adversidades e exclusões já verificadas na sociedade brasileira” — A rede espelha a desigualdade social.
3“se não produz diretamente a exclusão, certamente a reproduz” — Conclusão: a internet não é democratizadora por si.
As marcas vão do dado à conclusão; nenhuma propõe solução.
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