LiteraturaCapítulo 18 de 18: O insólito na prosa brasileira
Um homem morto pede a palavra para não ser jogado num precipício, e ninguém desmaia, a não ser um. Por que esse conto não dá medo?
Porque ninguém ali duvida do impossível. Em Murilo Rubião, o morto discute, o coelho pede cigarro e o mágico vira funcionário público, e o espanto fica todo do lado do leitor. Em José J. Veiga, uma cidade se acostuma a muros, urubus e proibições absurdas. Em Lygia Fagundes Telles, o insólito entra por uma frase incerta e às vezes se explica, às vezes não. A pergunta que organiza tudo: diante do impossível, a narrativa hesita, explica ou naturaliza?
No Atlas:Literatura Contemporânea
Conferindo a sua assinatura…