Serafim da Silva Neto defendia a tese da unidade da língua portuguesa no Brasil, entrevendo que no Brasil as delimitações dialetais espaciais não eram tão marcadas como as isoglossas¹ da România Antiga. Mas Paul Teyssier, na sua História da Língua Portuguesa, reconhece que na diversidade socioletal essa pretensa unidade se desfaz. Diz Teyssier: “A realidade, porém, é que as divisões ‘dialetais’ no Brasil são menos geográficas que socioculturais. As diferenças na maneira de falar são maiores, num determinado lugar, entre um homem culto e o vizinho analfabeto que entre dois brasileiros do mesmo nível cultural originários de duas regiões distantes uma da outra.”
SILVA, R. V. M. O português brasileiro e o português europeu contemporâneo: alguns aspectos da diferença. Disponível em: www.uniroma.it. Acesso em: 23 jun. 2008.
¹ isoglossa – linha imaginária que, em um mapa, une os pontos de ocorrência de traços e fenômenos linguísticos idênticos.
FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
De acordo com as informações presentes no texto, os pontos de vista de Serafim da Silva Neto e de Paul Teyssier convergem em relação
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A
À influência dos aspectos socioculturais nas diferenças dos falares entre indivíduos, pois ambos consideram que pessoas de mesmo nível sociocultural falam de forma semelhante.
B
À delimitação dialetal no Brasil assemelhar-se ao que ocorria na România Antiga, pois ambos consideram a variação linguística no Brasil como decorrente de aspectos geográficos.
C
À variação sociocultural entre brasileiros de diferentes regiões, pois ambos consideram o fator sociocultural de bastante peso na constituição das variedades linguísticas no Brasil.
D
À diversidade da língua portuguesa na România Antiga, que até hoje continua a existir, manifestando-se nas variantes linguísticas do português atual no Brasil.
E
À existência de delimitações dialetais geográficas pouco marcadas no Brasil, embora cada um enfatize aspectos diferentes da questão.
O ENEM quer ver se você acha o ponto em que dois autores concordam, sem confundir com o que só um deles enfatiza.
🪤
A armadilha
O fator sociocultural é a ênfase só de Teyssier. Quem o atribui aos dois marca A ou C. O ponto comum é outro: ambos veem pouca divisão geográfica no Brasil.
Quem cai nela marca A, C.
Serafim da Silva Neto defendia a tese da unidade da língua portuguesa no Brasil1, entrevendo que no Brasil as delimitações dialetais espaciais não eram tão marcadas2 como as isoglossas¹ da România Antiga. Mas Paul Teyssier, na sua **História da Língua Portuguesa**, reconhece que na diversidade socioletal essa pretensa unidade se desfaz. Diz Teyssier: “A realidade, porém, é que as divisões ‘dialetais’ no Brasil são menos geográficas que socioculturais3. As diferenças na maneira de falar são maiores, num determinado lugar, entre um homem culto e o vizinho analfabeto4 que entre dois brasileiros do mesmo nível cultural originários de duas regiões distantes uma da outra.”
1“defendia a tese da unidade da língua portuguesa no Brasil” — Ênfase de Serafim: unidade.
2“as delimitações dialetais espaciais não eram tão marcadas” — Serafim: pouca divisão geográfica.
3“no Brasil são menos geográficas que socioculturais” — Teyssier: também pouca divisão geográfica, mais peso ao social.
4“entre um homem culto e o vizinho analfabeto” — Exemplo de Teyssier para a variação social, só dele.
Leia o que cada autor diz sobre a geografia: é aí que eles se encontram.
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