Prosa contemporânea: o que o texto diz sem dizer
Alegoria, ironia e absurdo: a prosa de 1970 para cá raramente fala de frente.
Em 60 segundos
A prosa brasileira dos anos 1970 para cá raramente diz as coisas de frente. Sob a ditadura, ela critica por alegoria e ironia: uma Companhia que proíbe tapar o sol com peneira, uma Casa de Vidro criada contra o ódio. Depois, mostra a violência e a marginalização urbanas (Rubem Fonseca), ri do absurdo em frases curtas (Verissimo), parodia grandes narrativas (Bonassi) e reflete sobre a própria escrita. Vozes negras e periféricas, como Conceição Evaristo e Cuti, ganham espaço. No ENEM, leia o modo de dizer: o inventado aponta para o real, e o tom é pista.
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Alegoria: o inventado (a Companhia, a Casa de Vidro) representa o real.
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Sob a ditadura, a crítica vinha indireta, por ironia e metáfora.
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Humor contemporâneo nasce do absurdo e da malícia, não só do estilo.
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Paródia imita um discurso solene para desmontá-lo.
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Vozes negras e periféricas trazem o preconceito vivido por dentro.
Veja funcionando
| Vertente | Como aparece | Pista no comando | No ENEM |
|---|---|---|---|
| Alegoria sob a ditadura | Proibições absurdas, instituições inventadas | “Momento político”, “década de 1970” | J. J. Veiga, Ivan Ângelo |
| Violência e marginalização | Pobreza e desemprego empurrando ao crime | “Violência”, “desemprego”, campo × cidade | Rubem Fonseca |
| Ironia e humor | Eventos absurdos, duplo sentido malicioso | “Efeito de humor”, “caráter irônico” | Verissimo, Dalton Trevisan |
| Paródia | Imita um tom solene para ironizá-lo | “Olhar contemporâneo”, “painel” | Fernando Bonassi |
| Metalinguagem | A escrita vista como pérola, o poema como garrafa | “Fazer poético”, “criação literária” | Heloisa Seixas, J. P. Paes |
| Vozes negras e periféricas | O olhar do opressor internalizado pelo eu | “Literatura de temática negra” | Cuti |