Entrar

Variação regional: o Brasil fala de muitos jeitos

Aipim, macaxeira ou mandioca: muda o nome, não a planta, e ninguém está errado.

caiu 18× no ENEM · 2009 (3) · 2023 (2) · 2017 (2)aula de 2 minutos
1

Em 60 segundos

Variação diatópica (regional) é a diferença no jeito de falar de um lugar para outro. Ela aparece em camadas: vocabulário (mandioca, aipim, macaxeira = a mesma planta), pronúncia (vorta, frô, óio) e até gramática (furaro, cantá). Essas marcas seguem regras regulares: não são erro, são variedades legítimas. Na literatura e na canção, a fala regional dá cor local e verossimilhança. No ENEM, não confunda regional com coloquial do país inteiro ('tô', 'pra') e não estique a variação para 'outra língua' ou 'falha de comunicação'.

  • ✓

    Nome diferente, mesma coisa: aipim, macaxeira e mandioca são uma planta só.

  • ✓

    Pronúncia regional segue regras: volta → vorta, olho → óio.

  • ✓

    Regional não é errado: é variedade legítima (fuja do preconceito).

  • ✓

    'Tô' e 'pra' são coloquiais no Brasil todo, não marca de uma região.

  • ✓

    Na ficção, a fala regional cria verossimilhança e situa a personagem.

2

Veja funcionando

Tudo em vorta1 é só beleza Sol de abril e a mata em frô4 Mas assum preto, cego dos óio5 Num vendo a luz, ai, canta de dor Tarvez2 por ignorança Ou mardade das pió Furaro6 os óio do assum preto Pra ele assim, ai, cantá mió7 Assum preto veve8 sorto3 Mas num pode avuá
  1. 1“vorta” — L vira R (rotacismo): volta → vorta.
  2. 2“Tarvez” — A mesma regra: talvez → tarvez.
  3. 3“sorto” — De novo o rotacismo: solto → sorto.
  4. 4“frô” — Flor → frô: o L do grupo vira R e o R final cai.
  5. 5“óio” — LH vira I: olho → óio.
  6. 6“Furaro” — Terminação verbal -aram vira -aro: furaram → furaro.
  7. 7“cantá mió” — Cai o R do infinitivo (cantar → cantá); melhor → mió.
  8. 8“veve” — Outra regra: o I vira E (vive → veve).
Assum preto (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira): a fala sertaneja não é 'erro', é um sistema. Cada marca regional tem sua regra.